sábado, 24 de dezembro de 2011


Recordar 


Sê como o Sol para a Graça e a Piedade.
Sê como a noite para encobrir os defeitos alheios.
Sê como uma corrente de água para a generosidade.
Sê como a morte para o ódio e a ira.
Sê como a Terra para a modéstia.
Aparece tal como és.
Sê tal como pareces.
Se pudesses libertar-te, por uma vez, te ti mesmo,
o segredo dos segredos se abriria para ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,
apareceria no espelho da tua percepção.
Na realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu.
O vale é diferente, acima das religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.
Aqui não há lugar para religiões nem cultos.
Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.
Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que passa!
Busca dentro, se podes, e não fora.
No amor, não há alto nem baixo,
má conduta nem boa,
nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,
só há indiferença, tolerância e entrega.

Rumi.






* Desejo a todos amigos, seguidores e leitores, um natal e um ano novo repleto de amor e luz, paz e esperanças. Que esse novo ano seja oportunidade de refazimento e renascimento para todos. Um grande abraço, Milene.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Por tanto tempo 
Fui aquela que te pintava em versos, 
Os teus passos, 
Os teus traços borrados 
Por tantas paisagens novas, 
Sedutora voz marcada 
Por olhos de mel 
Profundos e tristes...

Por tanto tempo, 
Apenas vaguei só, 
Te imaginando por trás de lugares e ares, 
Em acordes, em frases musicais doloridas, 
Misturadas a serenidade 
Que a vida me obrigou a alcançar... 

Sim, a menina morreu 
Em favor da mulher que chora as tuas lágrimas, 
O teu sentir que distante, também é meu! 
O meu amor, que mesmo agora, 
Impossível, velho e tão maltratado, 
Ainda é teu!

Milene.