segunda-feira, 15 de agosto de 2011


Tua poética está em meu ventre
Desenha estrelas entre minhas pernas
Envolve meus olhos entreabertos
Possuidores que são de teus lábios
Faíscas de constelações extintas
Que tuas mãos tecem
Em minhas ancas,
Em meus seios expostos,
Enquanto me apodero de teus desejos
E o mundo gira e se perde à volta...

Tua poética são versos recitados no corpo
Sons que bailam,
Me penetram a pele,
Me guiam as mãos,
Os meus instintos,
O teu perfume nu.
Submisso enlevo que explode,
Eternidade que se faz presente,
Realiza-se em minha ventura
- Alma entregue em corpo que arfa...

Milene.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tarot - Três de Espadas

Não te olho de frente
Te vejo pelo pensamento,
Passos incertos pelas avenidas do tempo
Fusão desesperada de passado e presente
Lamina cortante
Onde tu me tens nua !
- Alma exposta por rasgos, feridas
Estraçalhada pelos teus olhos,
Pelos teus lábios, pelo teu Eu, tão meu...
O meu amor me tem tua !
Menina afastada de sua sombra,
De seu Eu sorridente,
Mulher formada por cacos
- Mosaico em flor
Pó que não é cocaína
- Será só tristeza?
E a fruta mordida
Que foi proibida
Dividindo águas de vida
- Paraísos perdidos em queda.

Milene.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

 
Ninguém sabe o que as lágrimas vertem,
Em sua escuridão noturna,
Em suas reviravoltas,
Nuances de paisagem própria,
Amargas conjecturas,
Que falam por elas...

Ah, ninguém sabe o que as lágrimas carregam
Nas esquinas desconexas da vida,
Longo é o caminho
De quem dialoga sozinho,
 Com o peito em chamas,
 Possuidor de especial bússola,
Alma estrangeira
Em terra estranha,
A sua separação
A desconecta de tudo...

É,ninguém sabe o que as lágrimas dizem
Soterradas por tantas marcas,
Sinal visível no olhar,
Que se aprofunda na terra,
Trespassa paredes,
Enxerga um mundo
Desconhecido por todos,
 Estrela estranha e única
Solitária estrada
De quem sente,
De quem vê demais.

 Sim, ninguém sabe o que as lágrimas vertem...


Milene.