domingo, 31 de julho de 2011

 













Escrever como desabafo
como desatino
Dedo em riste na ferida aberta
No beco fundo de todos nós
E o grito está lá disponível
- no peito
E a voz tremula - mansa
louca por se revelar
Queimar em meus abismos
O medo do pulo
As inconstâncias de minhas
emoções explosivas
Olhos expressivos e doces
Oceano de sensações
filtro de mundo por meu
caleidoscópio de sons
cópia tua e minha
de nossa real irrealidade humana
Demasiado humana.

Milene.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

 
 Beethoven - Quarteto de cordas Op.127, primeiro movimento

Rasgos em minha alma
Em minha pele
Borbulham poesia
Retalhos por vezes
Repletos de fel
Menina saltitante e alegre
Feita mulher madura e ferida
Por tantos cacos...
Outras vezes me tocam
Os teus olhos de mel
Ecos que ouço ao longe,
Amor escancarado
Resistente ao tempo,
Impregnado por lembranças profundas
Flashes de um passado sonoro
Violinos, viola e um cello ao fundo
Densa névoa de notas,
Amargas saudades,
Tristeza infinita,
Ventania intensa
Em meus abismos secretos...

Milene. 

* Dica : Leiam o poema e ouçam a música do vídeo ao mesmo tempo, pois esses versos fazem muito mais sentido acompanhados dessa bela peça musical.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Claude Monet - Nympheás














Claude Debussy-  Clair de Lune


Mergulho em tuas lágrimas
Em teu suor, em teu sorriso
Em todos teus poros
E tuas águas salgadas
Misturam- se ao meu âmago
Somam- se ao meu ser
Que só se enxerga
Através dos vitrais
De teus olhos.
Suavemente tua voz

É prece para meus ouvidos
E teu abraço, aconchego iluminado
Em pouso sobre minha escuridão solitária
Só abrandada pelos teus timbres difusos
Por tuas cores
Por tua palheta impressionista.
És repousante luz que trás paz
Que me invade
Música em aquarela
Comunhão cósmica
Unindo duas almas
Em um presente - futuro
De sonhos, de sons.

Milene.


terça-feira, 5 de julho de 2011

No delicioso calor
Que vem de meu corpo
Vem se perder amor
Tatear minha pele molhada
Preencher meus espaços de leve
Em piano, mezzo piano, forte, fortíssimo...
Me tomar em seus braços
Se achar em meus lábios,
Mergulhar em meu oceano bravio
Que te suga e te salga...
Achar o caminho sobre
As minhas curvas
Se entregar aos meus olhos
Que queimam
E em minhas mãos
Se perder de vez. 


Milene.

sábado, 2 de julho de 2011


Vida- Labaredas de fogo,
moinhos de vento
A corda bamba em que andamos
O que buscamos e rejeitamos....
Tudo que está 
e não está ao mesmo tempo....
Tudo o que parece e pode não ser 
O sonho escondido,
A realidade que nos chama
As horas, os minutos, os segundos
Tudo o que vem, tudo o que vai em nós...
O controle que nos escapa,
As ilusões que nos mantém
Tudo passa, tudo passa! Tudo gira
Tudo fica um pouco 
em cada instante que ainda vem.



Milene.