segunda-feira, 27 de junho de 2011



O sentir me guia
O sentir me faz,
Criatura estranha
Enigma, a vagar só...

O sentir me tira, me pira
Me vira a cabeça
Me traz combustão,
Me deixa sem chão.

O sentir me dá a poesia
O não refletir
O vomitar sobre o papel
Me joga, me rende,
Me recolhe sem ar.

O sentir me preenche de coração
Barco à deriva
Dominada por sentimentos extremos
tonalidades menores, maiores,
Introspecção quebrada apenas
Por palavras e sons.

O sentir me torna gente
Amor- dor misturados
Calma por fora
Nitroglicerina pura por dentro
em ataques de comoção,
Passado – presente – futuro
em um plano só.




Milene.

quinta-feira, 23 de junho de 2011













Só lembranças em meio a tantos vendavais...
Por momentos o seu rosto vivo, de novo
Em mim a dor de te fazer passado
Mesmo presente -  ausente
Foste o despertar da minha juventude
Menina se descobrindo mulher
Coração virgem se abrindo pra te acolher
És o meu sonho perdido, o meu pesadelo
Página linda e dolorosa de amor
Dor - ainda assim desejada
Esquecer como?
Lembrar como também?
As páginas foram rasgadas
Mas continuam vivas em meu coração.

Milene.

sábado, 18 de junho de 2011


A Tristeza jaz
- é final de linha 
de dias passados,
Ainda assim,
O sol brilha na presença dela
e ilumina a paisagem 
humana a sua volta. 

Ah, a tristeza está no poço
Está no fundo
Ainda assim,
Nos lábios dela se esboça um sorriso
convidativo ao mundo,
Coração grande e aberto
mesmo que repleto de lágrimas secretas...

Sim, a tristeza paira 
disfarçada no olhar,
Mistério insondável
E sobretudo nos passos
que passam desapercebidos,
Ainda assim,
Os dias correm e cumprem
o seu acordo com o tempo...

E ela está lá - 
Melancolia amável
Prestativa em sua função de amar
Colo quente, mãos estendidas
Separada ao mesmo tempo de tudo
E ela está lá...

Milene.

domingo, 12 de junho de 2011














Não quero chorar,
mas minhas lágrimas
Me remetem aos seus olhos
Espelhos de águas vítreos
Cortando em pedaços o meu coração.
Já não vejo o que minha alma diz
Só preso em mim tenho
A sua imagem em sombra.
Matei a necessidade que já muito senti
De sua presença, de seu carinho
de saber que pensavas em mim
de acreditar que me amavas
Te tirei dos meus olhos
Te ocultei ao meu mundo interno e externo
No entando ainda estás aqui
Em meu lugar secreto...
A necessidade se foi
O amor ficou
Você presente em mim
em sua ausência.

Milene.

quinta-feira, 9 de junho de 2011















O sino, em teu toque
cintilou ao longe em retoque
Perdeu-se o final do dia
enquanto um pássaro sozinho pedia
Queria ser livre, e voar
conquistar o vento, a brisa do mar.
A procura o procura
a fonte o olha e espera 
O pássaro deseja o ar
ser livre e sonhar
Cantar e ser música
dançar e se achar em sua busca
Está perdido em sons
em cores pinta um quadro de tons
Amando, não conhece o amor
Ainda assim beija as pétalas de flor ...

Milene.

domingo, 5 de junho de 2011

Tarot - A lua
Leia através de meus versos, meu bem
e verás muitas vezes
A tua expressão borrada
As tuas notas impressas
A tua voz apagada
aos poucos por teu silêncio
os sentimentos escandarados
e nem sempre compreendidos por mim,
O teu doloroso punhal
em meu coração. 
A dúvida criou raízes
Teus olhos profundos de anjo
palavras tão doces
mituradas em coquetel
com tua conduta incompreensível
Me trouxe Álvares *
- Teu idólo
Leviano sem dó? *
Será que mentias? *
Enxergo até hoje apenas confusa neblina
Conheço somente frestas
Embaçando o caminho
pontos de interrogação
sem contrapartida,
Entremeados por emoções desconexas. 

Milene. 

* Alusão ao poeta da segunda geração romântica brasileira Álvares de Azevedo e ao seu poema Por que mentias?-  pertencente a terceira parte do seu livro Lira dos vinte anos

Link para o poema ( Por que mentias?) - http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Por_que_mentias%3F

quarta-feira, 1 de junho de 2011


Pleno em meu corpo,
delicioso em penetrante momento,
tuas mãos rápidas tocam
suaves em seu balançar.
meu respirar alterado
 imensidão palpitante
razão prazerosa de meu querer
comigo ondulando quente
e você em meu mar de amar.




Suave em meu pensamento
Seus dedos descem...
Quente, a boca ao pescoço
A imaginação flutuando...
Desce a boca,
Em suspiros, gemidos...
os livros sobre a mesa caem...
pobre literatura
que em beijos acabou... 


Queima, doce sensação que vem de ti
Queima em meu corpo
Chama, delira, pede
Seus lábios quentes
Seus olhos em chamas
Sua entrega.
Arde, suspira, reclama,
E vindo, reclama mais,
Mais...


Milene.