sábado, 29 de janeiro de 2011

Na Bruma

É estranho vagar na bruma!
Cada sarça, cada pedra está só,
Nenhuma árvore vê a outra
Cada um está só.

Cheio de amigos era para mim o mundo
Quando ainda clara era minha vida.
Agora a bruma cai,
Mais nenhum é visível.

Na verdade, ninguém é sábio,
Se desconhece a obscuridade
Inextricável e acolchoada
Que o separa de tudo.

É estranho errar na bruma!
A vida é solidão,
Ninguém conhece o seu próximo,
Cada um está só.

Hermann Hesse.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

  Chopin - Noturne Op. 27 n° 2 - Lang Lang

video 
 Aragem fresca me toca
e nisso sinto o não sentido
Sabor que tu me trás
são notas, tão tristes, tão belas
São rosas que não existem mais
Ando, olho, querendo, fazendo
Por ser você minha vida
Em meu mundo de sons
Sempre só,
Em algum lugar
Dentro ou fora do espaço. 

Milene.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A voz que em meu peito canta,
está tão distante de mim
uma voz serena, mansa,
que não me diz, donde vim...
fechando os olhos a sinto,
vem em ondas, a escuto,
as ondas se fazem longe,
enquanto, estou no escuro...
durmo, os sonhos despontam...
minha alma assim me diz:
estás aqui, para ser feliz!
 então cantalorando respondo:
é tudo, o que eu sempre quis...

Milene.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Despedida



Não sei se tu és ou eras
Se somos princípio ou fim
Realidade ou ficção de um sonho
Opostos,complementares ou apenas dispares?
Só sinto a verdade
do meu momento -
doce despedida
Do que jamais voltará atrás
A cidade acesa e quieta a noite
Os leais amigos
e também os que se revelaram falsos
Todos os lados
que diferentes amores
me fizeram olhar.
Cada coisa importante a sua maneira
Peças do meu resultado-
dor e alegria
Lembranças marcadas na alma, no peito
Canções sem palavras,
Só os sons eternos que nos constituem
tocando, caindo
como cascatas de luz
até parar.

Milene.
A poeira do tempo cobriu a paisagem
Mas as lembranças não se apagaram
Da retina coberta de lágrimas...
A música sedimentou a dor
De um rosto perdido pra vida
A alma segue apesar dos passos pesados
Não há remédio para o que remediado está...
Cacos formam mosaicos
De um tempo inexistente
Sonho suspenso
Mirabolantes desenhos sonoros
Como tudo o que restou
Do que não volta mais.
Milene.
















Se te guiar na bruma
Será para que te percas comigo
Sonho infinito de não dizeres
Ensolarado paraíso celeste
Além das nuvens
há um recanto só nosso...
Gotas de chuva mescladas
Ao calor do sol,
Cascatas de sons entrelaçando
tua paisagem divina a minha,
Olhos faiscantes de vida
em pico de neve,
Centelha de luz
a inundar tudo,
Junto a teus passos
estarão os meus.


Milene.

sábado, 15 de janeiro de 2011















O vento toca os ramos de trigo
Suavemente se colore a manhã
Seus passos vindos de longe, em ecos
Traduzem sentido entrelaçado
a sol e sentimento.
O pensamento se esboça
através da paisagem
Sonho diluído em aquarela,
Luminosas cores enchem de perfume
e rosas o ar
As mãos se encontram
Olhos lacrimejantes se cruzam
Transbordantes de vida
Sedentos de sons
Nos levam a um mundo
que não existe mais. 


Milene.